segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Carta aberta ao presidente Lula

Boaventura de Sousa Santos

Sociólogo português

"O presidente Lula tem de fazer tudo para não perder o povo que o elegeu", escreve Boaventura de Sousa Santos

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert)


12/11/2022 | Publicado no site A Terra é Redonda

Prezado amigo Presidente Lula da Silva,

Quando o visitei na prisão em 30 de agosto de 2018, vivi no pouco tempo que durou a visita um turbilhão de ideias e emoções que continuam hoje tão vivas quanto nesse dia. Pouco tempo antes tínhamos estado juntos no Fórum Social Mundial de Salvador da Bahia, conversando, na companhia de Jacques Wagner, na cobertura do hotel onde Lula estava hospedado. Falávamos então da sua possível prisão. Lula ainda tinha alguma esperança de que o sistema judicial suspendesse aquela vertigem persecutória que desabara sobre si.

Eu, talvez por ser sociólogo do direito, estava convencido de que tal não aconteceria, mas não insisti. A certa altura, tive a sensação de que estávamos a pensar e a temer o mesmo. Pouco tempo depois, prendiam-no com a mesma indiferença arrogante e compulsiva com que o tinham tratado até então. Sérgio Moro, o lacaio dos EUA (é tarde demais para sermos ingênuos), tinha cumprido a primeira parte da missão. A segunda parte seria a de o manter preso e isolado até que fosse eleito o candidato que lhe daria a tribuna a ser utilizada por ele, Sérgio Moro, para um dia chegar à presidência da República.

Quando entrei nas instalações da Polícia Federal senti um arrepio ao ler a placa onde se assinalava que o presidente Lula da Silva tinha inaugurado aquelas instalações onze anos antes como parte do seu vasto programa de valorização da Polícia Federal e da investigação criminal. Um primeiro turbilhão de interrogações me assaltou. A placa permanecia ali por esquecimento? Por crueldade? Para mostrar que o feitiço se virara contra o feiticeiro? Que um presidente de boa-fé entregara o ouro ao bandido?

Fui acompanhado por um jovem polícia federal bem parecido que no caminho se vira para mim e diz: lemos muito os seus livros. Fico frio por dentro. Estarrecido. Se os meus livros fossem lidos e a mensagem entendida, nem Lula nem eu estaríamos ali. Balbuciei algo neste sentido e a resposta não se fez esperar: “cumprimos ordens”. De repente, o teórico nazi do direito Carl Schmitt irrompeu dentro de mim. Ser soberano é ter a prerrogativa de declarar que é legal o que não é, e de impor a sua vontade burocraticamente com a normalidade da obediência funcional e a consequente trivialização do terror do Estado.

Prezado Presidente Lula, foi assim que cheguei à sua cela e certamente nem suspeitou do turbilhão que ia dentro de mim. Ao vê-lo, acalmei-me. Estava finalmente na frente da dignidade em pessoa, e senti que a humanidade ainda não tinha desistido de ser aquilo a que o comum dos mortais aspira. Era tudo totalmente normal dentro da anormalidade totalitária que o encerrara ali. As janelas, os aparelhos de ginástica, os livros, a televisão. A nossa conversa foi tão normal quanto tudo o que nos rodeava, incluindo os seus advogados e a Gleisi Hoffmann, presidenta do Partido dos Trabalhadores.

Falámos da situação da América Latina, da nova (velha) agressividade do império, do sistema judicial convertido em ersatz de golpes militares, das sondagens que o continuavam a destacar, do meu receio que a transferência de votos não fosse tão massiva quanto esperava. Era como se o imenso elefante branco naquela sala – a repugnante ilegalidade da sua prisão por motivos políticos nem sequer disfarçados – se transformasse em inefável leveza do ar para não perturbar a nossa conversa como se, em vez de estarmos ali, estivéssemos em qualquer lugar de sua escolha.

Quando a porta se fechou atrás de mim, o peso da vontade ilegal de um Estado refém de criminosos armados de manipulações jurídicas caiu de novo sobre mim. Amparei-me na revolta e na raiva e no desempenho bem-comportado que se espera de um intelectual público que à saída tem de fazer declarações à imprensa. Tudo fiz, mas o que verdadeiramente senti é que tinha deixado atrás de mim a liberdade e a dignidade do Brasil, aprisionadas para que o império e as elites ao seu serviço cumprissem os seus objetivos de garantir o acesso aos imensos recursos naturais do Brasil, a privatização da previdência e o alinhamento incondicional com a geopolítica da rivalidade com a China.

A serenidade e a dignidade com que o Lula enfrentou 582 dias de reclusão é a prova provada de que os impérios, sobretudo os decadentes, erram muitas vezes os cálculos, precisamente por só pensarem no curto prazo. A imensa solidariedade nacional e internacional, que fez de si o mais famoso preso político do mundo, mostraram que o povo brasileiro começava a acreditar que pelo menos parte do que fora destruído a curto prazo poderia ser reconstruído a médio e longo prazo. A sua prisão passou a ser o preço da credibilidade dessa convicção.

Prezado amigo Presidente Lula da Silva,

Escrevo-lhe hoje antes de tudo para o felicitar pela vitória nas eleições de 30 de outubro. É um feito extraordinário sem precedente na história da democracia. Costumo dizer que os sociólogos são bons a prever o passado, não o futuro, mas desta vez não me enganei. Nem por isso tenho maior certeza no que sinto necessidade de lhe dizer hoje. Como sei que não tem tempo para ler grandes elaborações analíticas, serei telegráfico. Tome estas considerações como expressão do que de melhor desejo para si pessoalmente e para o exercício do cargo que vai assumir.

(1) Seria um erro grave pensar-se que com a sua eleição tudo voltou ao normal no Brasil. Primeiro, o normal anterior a Jair Bolsonaro era para as populações mais vulneráveis algo muito precário ainda que o fosse menos do que é agora. Segundo, Jair Bolsonaro infligiu um dano na sociedade brasileira difícil de reparar. Produziu um retrocesso civilizatório ao ter reacendido as brasas da violência típica de uma sociedade que foi sujeita ao colonialismo europeu: a idolatria da propriedade individual e a consequente exclusão social, o racismo, o sexismo, a privatização do Estado para que o primado do direito conviva com o primado da ilegalidade, e uma religião excludente desta vez sob a forma de evangelismo neopentecostal.

A fratura colonial é reativada sob a forma da polarização amigo/inimigo, nós/eles, própria da extrema-direita. Com isto, Bolsonaro criou uma ruptura radical que torna muito difícil a mediação educativa e democrática. A recuperação levará anos.

(2) Se a nota anterior aponta para o médio prazo, a verdade é que a sua presidência vai ser por agora dominada pelo curto prazo. Jair Bolsonaro fez regressar a fome, quebrou financeiramente o Estado, desindustrializou o país, deixou morrer desnecessariamente centenas de milhares de vítimas da covid, propôs-se acabar com a Amazônia. O campo emergencial é aquele em que o Presidente se move melhor e em que estou certo mais êxito terá. Apenas duas cautelas. Vai certamente voltar às políticas que protagonizou com êxito, mas, atenção, as condições são agora muito diferentes e mais adversas.

Por outro lado, tudo tem de ser feito sem esperar a gratidão política das classes sociais beneficiadas pelas medidas emergenciais. O modo impessoal de beneficiar, que é próprio do Estado, faz com que as pessoas vejam nos benefícios o seu mérito pessoal ou o seu direito e não o mérito ou a benevolência de quem os torna possível. Para mostrar que tais medidas não resultam nem de mérito pessoal nem da benevolência de doadores, mas são antes produto de alternativas políticas só há um caminho: a educação para a cidadania.

(3) Um dos aspectos mais nefastos do retrocesso provocado por Bolsonaro é a ideologia anti-direitos capilarizada no tecido social, tendo como alvo os grupos sociais anteriormente marginalizados (pobres, negros, indígenas, Roma, LGBTQI+). Manter firme uma política de direitos sociais, económicos e culturais como garantia de dignidade ampliada numa sociedade muito desigual deve ser hoje o princípio básico dos governos democráticos.

(4) O contexto internacional é dominado por três mega-ameaças: pandemias recorrentes, colapso ecológico, possível terceira guerra mundial. Qualquer destas ameaças é global, mas as soluções políticas continuam dominantemente limitadas à escala nacional. A diplomacia brasileira foi tradicionalmente exemplar na busca de articulações, quer de âmbito regional (cooperação latino-americana), quer de âmbito mundial (BRICS). Vivemos um tempo de interregno entre um mundo unipolar dominado pelos EUA que ainda não desapareceu totalmente e um mundo multipolar que ainda não nasceu plenamente. O interregno manifesta-se, por exemplo, na desaceleração da globalização e no regresso do protecionismo, na substituição parcial do livre comércio pelo comércio com parceiros amigos.

Os Estados continuam todos formalmente independentes, mas só alguns são soberanos. E entre os últimos não se contam sequer os países da União Europeia. O Presidente Lula saiu do governo quando a China era o grande parceiro dos EUA e regressa quando a China é o grande rival dos EUA. O presidente Lula foi sempre adepto do mundo multipolar e a China é hoje um parceiro incontornável do Brasil. Dada a crescente guerra fria entre os EUA e a China, prevejo que a lua de mel entre Biden e Lula não dure muito tempo.

(5) O presidente Lula tem hoje uma credibilidade mundial que o habilita a ser um mediador eficaz num mundo minado por conflitos cada vez mais tensos. Pode ser um mediador no conflito Rússia/Ucrânia, dois países cujos povos necessitam urgentemente de paz, num momento em que os países da União Europeia abraçaram sem Plano B a versão norte-americana do conflito e condenaram-se ao mesmo destino a que está destinado o mundo unipolar dominado pelos EUA. E será também um mediador credível no caso do isolamento da Venezuela e no fim do vergonhoso embargo contra Cuba. Para isso, o Presidente Lula tem de ter a frente interna pacificada e aqui reside a maior dificuldade.

(6) Vai ter de conviver com a permanente ameaça de desestabilização. É a marca da extrema direita. É um movimento global que corresponde à incapacidade de o capitalismo neoliberal poder conviver no próximo período com mínimos de convivência democrática. Apesar de global, assume características específicas em cada país. O objetivo geral é converter diversidade cultural ou étnica em polarização política ou religiosa.

No Brasil, tal como na Índia, há o risco de atribuir a tal polarização um carácter de guerra religiosa, seja ela entre católicos e evangélicos ou entre cristãos fundamentalistas e religiões de matriz africana (Brasil) ou entre hindus e muçulmanos (Índia). Nas guerras religiosas a conciliação é quase impossível. A extrema-direita cria uma realidade paralela imune a qualquer confrontação com a realidade real. Nessa base, pode justificar a mais cruel violência. O seu objetivo principal é impedir que o Presidente Lula termine pacificamente o seu mandato.

(7) O presidente Lula tem neste momento a seu favor o apoio dos EUA. É sabido que toda a política externa dos EUA é determinada por razões de política interna. O presidente Joe Biden sabe que, ao defender o presidente Lula, está a defender-se de Donald Trump, seu rival em 2024. Acontece que os EUA são hoje a sociedade talvez mais fraturada do mundo, onde o jogo democrático convive com uma extrema direita plutocrata suficientemente forte para fazer com que cerca de 25% da população norte-americana continue hoje convencida que a vitória de Joe Biden em 2020 foi o resultado de uma fraude eleitoral. Esta extrema direita está disposta a tudo. A sua agressividade fica demonstrada pela tentativa recente de raptar e torturar Nancy Pelosi, líder dos democratas na Câmara dos Representantes.

Pensemos nisto: o país que quer produzir regime change na Rússia e travar a China não consegue proteger um dos seus mais importantes líderes políticos. E, tal como se irá observar no Brasil, logo após o atentado, uma bateria de notícias falsas foi posta a circular para justificar o ato. Portanto, hoje, os EUA são um país duplo: o país oficial que promete defender a democracia brasileira e o país não oficial que a promete subverter para ensaiar o que pretende conseguir nos EUA. Recordemos que a extrema direita começou por ser a política do país oficial. O evangelismo hiper conservador começou por ser um projeto norte-americano (vide o relatório Rockfeller de 1969) para combater “o potencial insurrecional” da teologia da libertação. E diga-se, em abono da verdade, que durante muito tempo o seu principal aliado foi o Papa João Paulo II.

(8) Desde 2014, o Brasil vive um processo de golpe de Estado continuado, a resposta das elites aos progressos que as classes populares obtiveram com os governos do Presidente Lula. Esse processo não terminou com a sua vitória. Apenas mudou de ritmo e de táctica. Ao longo destes anos e sobretudo no último período eleitoral assistimos a múltiplas ilegalidades e até crimes políticos cometidos com uma impunidade quase naturalizada. Para além dos muitos que foram cometidos pelo chefe do governo, vimos, por exemplo, quadros superiores das Forças Armadas e das forças de segurança apelarem a golpes de Estado e a tomarem publicamente partido por um candidato presidencial durante o exercício das suas funções.

Estes comportamentos golpistas devem ser punidos exemplarmente quer por iniciativa do sistema judiciário quer por meio de passagens compulsórias à reserva. Qualquer ideia de amnistia, por mais nobres que sejam os seus motivos, será uma armadilha no caminho da sua presidência. As consequências podem ser fatais.

(9) É sabido que o presidente Lula não põe grande prioridade em caracterizar a sua política como sendo de esquerda ou de direita. Curiosamente, pouco antes de ser eleito Presidente da Colômbia, Gustavo Petro afirmava que a distinção para ele importante não era entre esquerda e direita, mas antes entre política de vida e política de morte. Política de vida é hoje no Brasil a política ecológica sincera, a continuidade e aprofundamento das políticas de justiça racial e sexual, dos direitos trabalhistas, do investimento na saúde e na educação públicas, do respeito pelas terras demarcadas dos povos indígenas e da promulgação das demarcações pendentes.

Acima de tudo, é necessária uma transição gradual, mas firme da monocultura agrária e do extrativismo de recursos naturais para uma economia diversificada que permita o respeito por diferentes lógicas socioeconômicas e articulações virtuosas entre a economia capitalista e as economias camponesa, familiar, cooperativa, social-solidária, indígena, ribeirinha, quilombola que tanta vitalidade têm no Brasil.

(10) O estado de graça é curto. Não dura sequer cem dias (vide Gabriel Boric no Chile). O presidente Lula tem de fazer tudo para não perder o povo que o elegeu. A política simbólica é fundamental nos primeiros tempos. Uma sugestão: reponha de imediato as Conferências Nacionais para dar um sinal inequívoco de que há outra maneira mais democrática e mais participativa de fazer política.

(Este artigo não representa a opinião deste blog, mas de seu autor.)

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Na logística reversa não existe lixo, tudo se transforma

Newloop mostra na Waste Expo, que reciclar é o único caminho para a preservação do planeta

por Caroline Soares

Newloop mostra na Waste Expo Brasil que na logística reversa não existe lixo, tudo se transforma


09/11/2022 | O consumo no mundo tem crescido 3 vezes mais do que a taxa de crescimento da população. Segundo o levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Banco Mundial, 7 bilhões de seres humanos produzem anualmente 1,4 bilhão de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU) — uma média de 1,2 kg por dia per capita. Quase a metade desse total é gerada pelos 30 países mais desenvolvidos do mundo.

Dados estimam também que daqui há dez anos serão 2,2 bilhões de toneladas anuais, e até a metade deste século serão 9 bilhões de habitantes, que juntos produzirão ao menos 4 bilhões de toneladas de lixo urbano por ano.

Já a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais alerta que o Brasil perde R$ 14 bilhões por ano com a falta de reciclagem adequada do lixo. O país gera quase 80 milhões de toneladas de lixo, mas apenas 4% são reciclados, o que representa cerca de 12 milhões de toneladas de resíduos sólidos que, ao invés de gerarem dinheiro e emprego, acabam descartados no meio ambiente

Mas os números não param por aí, cerca de 40% de todo o lixo produzido no Brasil acaba despejado em locais inadequados. São mais de 30 milhões de toneladas de resíduos sólidos que vão para quase 3 mil lixões ou aterros controlados espalhados pelo país, prejudicando a saúde de 76 milhões de brasileiros, gerando um custo anual de 1 bilhão de dólares por ano para tratamento de doenças, além de todo o custo ambiental.

Mediante esse cenário, cresce a demanda pela Logística Reversa de pós-consumo, com o intuito de movimentar o fluxo de retorno de resíduos descartados e promover o reaproveitamento. É o caso da Newloop, que se tornou um destaque nesse segmento na América Latina.

A empresa iniciou com os sócios Warney Paulo, proprietário de um teatro, e Alexandre Teixeira, que trabalhava com licenciamento ambiental. Os dois se uniram para reformar uma casa de espetáculo e durante a parceria comercial surgiu o questionamento do motivo de todo lixo gerado ser destinado aos aterros. “Ficava indignado, porque separava todo o lixo em casa e a coleta seletiva jogava todos juntos”.

Esse questionamento martelou tanto o pensamento, que foi um start para que os dois colocassem literalmente as mãos na obra e na sustentabilidade, e assim se tornarem sócios no projeto de preservar o universo.

O início da trajetória deles não partiu de uma colcha de retalhos, eles tinham consciência que queriam tratar o lixo da moda. Começaram reciclando os restos e descartes de tecidos jogados nas ruas do centro de SP, que colaboram regularmente com o entupimento de bueiros.

“Fizemos a reciclagem têxtil dessa fibra e a transformamos em matéria-prima para substituir o amianto, um material totalmente cancerígeno”, comenta o executivo ao informar que a meta era contribuir para a conservação ambiental, já que o poliéster leva mais de 100 anos para se decompor.

Daí os empresários resolveram diversificar a atividade. Além da fibra têxtil, passaram para a transformação de fertilizantes, eletrônicos e já estudam a transformação do fumo e do papel do cigarro.

Já para o sócio Alexandre, o que sai do lixo não volta a ser lixo. O empreendedor conta que quando era pequeno, a mãe o aconselhava a estudar para não virar lixeiro. Ele ouviu a mãe, se graduou em Direito, mas a sentença final veio do coração. “Me tornei lixeiro porque acredito que tratar o lixo é um luxo e uma atitude nobre para salvar o planeta”, comenta ao informar que a Newloop visa transformar nos próximos anos em nível mundial, porque no mundo a tecnologia é escassa e a empresa é a única do país que possui equipamentos criados exclusivamente para moagem.

Para quem quer conhecer a trajetória do lixo processado basta passar no stand C8, localizado na Rua 2, no Pavilhão Amarelo, para conhecer o trabalho da Newloop.

Serviço
Newloop na Waste Expo Brasil
Data – 08 a 10 de novembro
Local - Stand C8 - Rua 2 - Pavilhão Amarelo
Expo Center Norte
Rua José Bernardino Pinto, 333 – Vila Guilherme – São Paulo

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Uso da máquina pública nas eleições e o abalo das estruturas da democracia

Marcelo Aith*

O uso da força da máquina pública para garantir a reeleição, embora seja uma prática corriqueira nas eleições pelo Brasil, torna desigual a disputa e põe em cheque a legitimidade de um pleito. Ceder ou utilizar veículos, prédios públicos ou mesmo servidores para que, em horário de expediente, participem de atividades de campanhas eleitorais, por exemplo, são atividades ilícitas pelas quais os candidatos ou partidos políticos podem ser responsabilizados. Trata-se de um quebra da paridade de oportunidade e uma afronta à democracia.

Nesse sentido, as denúncias contra o candidato à reeleição à presidência, Jair Bolsonaro, crescem a cada dia. Segundo um levantamento realizado nos veículos de comunicação, pelo menos quatro atos revelaram o uso da máquina para causas eleitorais. Um deles foi o uso das dependências do Palácio da Alvorada, residência oficial dos presidentes da República, para anunciar apoios de aliados. O que é uma cristalina violação a lei eleitoral, na medida em que os serviços, as instalações e os servidores de qualquer repartição federal, estadual ou municipal, autarquia, fundação pública, sociedade de economia mista, entidade mantida ou subvencionada pelo poder público ou que realiza contrato com este, inclusive o respectivo prédio e suas dependências, não podem ser utilizados para beneficiar partido ou organização de caráter político, sob pena de prática de crime, tipificado no Código Eleitoral (art. 346). Neste caso a pena é de detenção de até seis meses e multa. Além da autoridade responsável, os servidores que prestarem serviços e os candidatos, membros ou diretores de partido que derem causa à infração podem ser penalizados.

Outro uso da máquina a ser considerado é em relação as medidas econômicas com apoio de banco público como, por exemplo, antecipação do pagamento do Auxílio Brasil pela Caixa Econômica Federal, além da inclusão de 500 mil novas famílias no programa Auxílio Brasil e o perdão de até 90% dos débitos de famílias endividadas com a Caixa.

Entre as ações está também o aumento no número de servidores da Polícia Federal, pois em ano eleitoral o presidente nomeou os concursados da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Outro ponto foram os anúncios de ações feitas com a presença autoridades do governo. Nessas oportunidades Bolsonaro anunciou publicamente ações do governo, em entrevistas coletivas com presença de autoridades do governo, em pleno período de defeso (proibição) eleitoral, quando normas para gastos públicos e comunicação institucional são mais restritas.

Ademais, não se pode esquecer o uso indevido de data comemorativas como palanque eleitoral. O candidato Jair Bolsonaro transformou o último dia 7 de Setembro, data em que se comemorava o bicentenário da Independência do Brasil, um evento público na Esplanada dos Ministérios, em comício.

Cabe ressaltar que, caso fique comprovado o abuso do uso da máquina pública, a Lei Eleitoral prevê punições como a suspensão imediata da conduta vedada e, quando for o caso, multa. O candidato beneficiado, agente público ou não, ficará sujeito à cassação do registro ou do diploma eleitoral.

No entanto, a beligerância que envolve a política nacional nessa quadra histórica do Brasil, exigem muita prudência da Justiça Eleitoral, para que uma decisão não seja o estopim para uma grande movimentação antidemocrática. Oxalá sejam os julgadores iluminados na hora de decidir.


*Marcelo Aith é advogado, latin legum magister (LL.M) em direito penal econômico pelo Instituto Brasileiro de Ensino e Pesquisa – IDP, especialista em Blanqueo de Capitales pela Universidade de Salamanca, professor convidado da Escola Paulista de Direito, mestrando em Direito Penal pela PUC-SP, e presidente da Comissão Estadual de Direito Penal Econômico da ABRACRIM-SP

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Aprenda os 10 passos do aproveitamento integral dos alimentos

No Dia Mundial da Alimentação e aniversário do portal Alimente-se Bem, o site do programa completa dois anos com divulgação de conteúdo gratuito que inclui notícias, receitas, e-books, vídeos e podcasts.

13/10/2022 | Cerca de 150 países comemoram, em 16 de outubro, o Dia Mundial da Alimentação. A data foi instituída para abordar questões que envolvem a nutrição em todo o mundo. Nesse sentido, o Sesi-SP possui o portal do programa Alimente-se Bem, que este mês completa dois anos de atuação.

O trabalho é referência em educação alimentar, saúde, economia e sustentabilidade, ao incentivar o hábito do aproveitamento integral de frutas, legumes e verduras no preparo de receitas nutritivas, saborosas e sem desperdícios.

Segundo a nutricionista Joice Neris Ribeiro Pozenato, do Sesi-SP, o ato de comer vai além de uma alimentação que ajuda a prevenir doenças ou controlar o peso. “Ao adotar hábitos alimentares saudáveis, devemos considerar também aspectos sustentáveis. Por isso, a data é um convite para colocar em prática habilidades culinárias que valorizam o alimento na sua integralidade”, explica.

10 passos do aproveitamento integral dos alimentos

Para ensinar o uso das partes não convencionais, como folhas, talos, ramas, cascas e sementes, o Alimente-se Bem desenvolveu os 10 passos do aproveitamento integral dos alimentos, com dicas simples de consumo consciente que podem ser integradas no dia a dia. 

1. Planeje e elabore: Organize o cardápio e escreva a lista de compras a partir dele. Para isso, é importante conhecer o hábito alimentar e as preferências da sua família, e incentivá-los a provar novos pratos.

2. Compre de quem produz: Dê preferência a produtores locais, pois contribui com o trabalho do pequeno agricultor da região, ajuda na redução da emissão de gases ocasionada pelo transporte e é mais fácil para adquirir o alimento na forma integral.

3. Aparência não é tudo: O tamanho, a forma ou a cor, da fruta ou legume, não determinam o valor nutritivo, pois alimentos imperfeitos, ainda são alimentos.

4. Tá barato? Não compre em excesso: Conheça o consumo médio de sua família, e mesmo que os preços estejam baixos, não compre em uma quantidade maior do que pode consumir, pois, mesmo pagando pouco, parte do gasto irá para o lixo. 

5. Comprou? Cuide bem: Armazene as partes não convencionais dos alimentos de forma correta, para possibilitar o uso por um prazo maior e evitar que estraguem.

6. Abra-se ao novo: Pesquise e prepare receitas deliciosas e nutritivas com cascas, talos, folhas e sementes.

7. Quem congela sempre tem: A dica vale tanto para receitas com aproveitamento integral de alimentos e para algumas partes não convencionais, que também podem ser congeladas. Por isso, na hora de cozinhar a refeição, prepare uma porção a mais e congele para evitar o consumo de fast-food nos dias mais corridos.

8. Bons pratos para bons momentos: Comer não se resume apenas a ingerir o alimento. O ato também está relacionado às emoções, à companhia e às memórias afetivas. Portanto, escolha um momento agradável para propor e compartilhar pratos com o uso do aproveitamento integral.

9. Aproveite as sobras: As sobras não são restos. Elas representam o que permanece na panela depois do preparo do alimento. Já os restos são aquilo que ficou no prato após uma refeição. Se as sobras forem armazenadas de forma adequada, elas poderão ser transformadas em pratos diferentes na refeição seguinte. 

10. Avalie, replaneje e siga: Sempre que preciso, repense as ações. Se vai comprar e encontrou um alimento em promoção, que não fazia parte do cardápio planejado, troque-o por outro do mesmo grupo. Se um preparo com aproveitamento integral não teve uma boa aceitação, não desista, tente outras receitas. Se preparou e sobrou, avalie se a aceitação não foi boa ou se fez uma quantidade muito grande. Siga o caminho do aproveitamento integral para ganhar em saúde e sabor, economizar e colaborar com a redução do desperdício.

Esses passos ajudam a diminuir o descarte de alimentos em casa, pois o Brasil está entre os 10 países do mundo que mais desperdiçam ao longo de toda a cadeia produtiva, e podem ser colocados em prática por meio de algumas receitas do programa:
  • Suco de cascas de frutas
  • Salada com sementes
  • Rolinhos de folhas
  • Carne ensopada com entrecasca de melancia 
  • Requeijão com talos de couve
  • Bolo integral maravilha
No site Alimente-se Bem estão disponíveis essas e outras sugestões de preparos, como bebidas, acompanhamentos, saladas, opções de pratos para refeições principais, sopas e sobremesas.

Sobre o Alimente-se Bem

Criado há mais de duas décadas, o programa Alimente-se Bem teve início quando nutricionistas do Sesi-SP começaram a observar o comportamento de desperdício alimentar dos trabalhadores da indústria do estado de São Paulo e seus familiares, que muitas vezes desconhecem as propriedades culinárias de cascas, sementes, talos e outras partes dos alimentos.

Em busca da reeducação alimentar da população, a equipe desenvolveu receitas pautadas nesse aproveitamento, tendo como pilares: a economia, o sabor e os benefícios nutritivos. Aos poucos, o Alimente-se Bem ganhou visibilidade e alcançou milhares de pessoas de todas as idades com a divulgação das receitas em cursos nas cozinhas didáticas e unidades móveis do Sesi-SP, aulas no Canal Futura, bem como em instituições governamentais e não governamentais, e entidades assistenciais e filantrópicas.

Em parceria com a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), o programa publicou a primeira Tabela de Composição das Partes Não Convencionais dos Alimentos, com os valores nutritivos de cascas, talos e folhas de algumas frutas e hortaliças.

Confira a linha do tempo em: https://alimentesebem.sesisp.org.br/o-programa/

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Revitalização de calçadas são cruciais para Mobilidade Urbana

Soluções em concreto contribuem para segurança, acessibilidade e melhoria da mobilidade nos principais centros urbanos do país

Há quem diga que as calçadas são os espaços mais democráticos de qualquer cidade. Mesmo quem se desloca por transporte público, bicicleta ou automóvel em algum momento do trajeto tem de passar por uma calçada. É por isso que a precariedade desse equipamento é um grande entrave nas cidades.

Buracos, degraus, ambulantes, mesas e cadeiras, além da falta de rampas de acessibilidade, sinalização e iluminação foram os principais problemas apontados em diversas capitais brasileiras por uma pesquisa de avaliação das condições de calçadas realizada pelo Instituto Mobilize em 2019. Ainda de acordo com estudo, todas as 27 capitais brasileiras não atingiram a média mínima aceitável de oito pontos percentuais em uma escala de zero a dez.

Esses obstáculos afetam todos os pedestres, principalmente aqueles com mobilidade reduzida, como pessoas em cadeira de rodas e idosos. Tendo cerca de 46 milhões de cidadãos com alguma deficiência, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e uma população em processo de envelhecimento, as calçadas dos principais centros urbanos - principalmente - deveriam ser uma prioridade nacional.

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) disciplina o uso da calçada, restringindo (e punindo) o acesso a ela por veículos automotores. Mas os automóveis não são o único problema dos pedestres. As condições do piso e do uso da calçada interferem nas características da caminhada e podem causar acidentes.

E aqui entra outro dado importante. As quedas de pessoas nas calçadas não entram nas estatísticas como acidentes de trânsito, mas impactam fortemente a sociedade: apenas o setor de Traumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo registrou 6.648 atendimentos desse tipo em 2010. A causa desse problema também é mostrada em números pelo IBGE. E a acessibilidade piora à medida que diminui o tamanho do município.

A necessidade de transformar para melhor a infraestrutura dos municípios brasileiros está inserida na agenda da ABCP por meio do projeto “Soluções Para Cidades”, que apoia o desenvolvimento, a transferência de tecnologia e o uso adequado dos sistemas construtivos a favor da infraestrutura nos centros urbanos.




“Calçadas devem oferecer um ambiente atraente com acessibilidade garantida para todas as pessoas circularem”, comenta Ricardo Moschetti, gerente da regional São Paulo da ABCP. “Nosso objetivo é contribuir para que idosos, crianças e pessoas com deficiência, assim como todos os cidadãos, possam circular livremente pela cidade, exercendo plenamente seu direito de ir e vir sem enfrentar obstáculos no caminho como degraus, buracos, falhas”.

Nas questões que envolvem conforto e segurança, o pavimento intertravado, também conhecido como paver, é formado pelo arranjo de peças pré-fabricadas de concreto, que são assentadas sobre uma camada de areia e travadas entre si por meio de contenções, o que evita deslocamento, rotação e translação. Seu sistema é racionalizado, de simples execução, limpeza e manutenção.

No aspecto de abrangência, o sistema de placas de concreto, que são peças pré-fabricadas para o revestimento da superfície de pavimentos, concilia a cobertura de áreas maiores, dimensionada de acordo com a necessidade do projeto e com espessura menor, o que reduz o peso do revestimento. Outro atributo dessa solução é a estética, pois conta com uma variedade de formatos, cores e texturas que destacam a intervenção na paisagem urbana.

Já o ladrilho hidráulico, oferece inúmeros benefícios. Trata-se de placas de concreto de pequenas dimensões e alta resistência ao desgaste, produzidas em larga escala e assentadas com argamassa sobre base de concreto. Além de estar entre as soluções de revestimento mais sofisticadas, oferece maior conforto térmico, propriedade antiderrapante, qualidade e durabilidade, estimada em mais de 100 anos.

Mas se o objetivo é praticidade e diversidade, o concreto moldado in loco podendo ter seu acabamento desempenado convencional ou estampado é uma ótima e rápida solução. Executado no local, que recebe um tratamento superficial no mesmo instante em que é feita a concretagem, é capaz de reproduzir ótimos resultados em cores e texturas variadas.

“Todas as soluções aplicadas em concreto garantem durabilidade, resistência, padronização, e facilidades na manutenção e instalação. Para escolha da mais adequada, é necessário levar em consideração as características e peculiaridades de cada município durante o planejamento e na execução do projeto”, finaliza Moschetti.

A cidade de São José dos Campos, primeiro município brasileiro certificado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) como Cidade Inteligente, se destaca pela implementação do programa Calçada Segura -- iniciativa desenvolvida pela Prefeitura de São José dos Campos com apoio técnico da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

O programa, reconhecido como uma das 10 melhores experiências de gestão municipal inovadora do estado ao receber o Prêmio Mario Covas, de 2013, também recebeu o Prêmio Ações Inclusivas concedido pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em 2011.

O sucesso do programa se dá pelo uso do pavimento intertravado, concreto moldado in loco, ladrilho hidráulico e placas de concreto, todos implementados graças a integração da gestão pública com a sociedade, mudando a forma como os moradores se relacionam com espaço público e a cidade.

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

CCR SPVias inicia Movimento Afaste-se com foco na segurança das equipes de atendimento nas rodovias

A proposta é promover a mudança de comportamento dos motoristas, orientando a todos para mudar de faixa ou reduzir a velocidade ao avistar viaturas em ocorrências nas estradas.

CCR SPVias (Divulgação)


01/09/2022 |  A concessionária CCR SPVias responsável pela administração das principais rodovias do sudoeste paulista, está iniciando uma ação inovadora no Brasil chamado Movimento Afaste-se. O objetivo principal é proteger aqueles que trabalham prestando atendimento aos veículos que trafegam nas rodovias, proporcionando a estes profissionais condições mais seguras para realizar suas atividades. Esta iniciativa tem o apoio da ARTESP (Agência de Transportes do Estado de São Paulo).

De acordo com Fausto Camilotti, Diretor de Operações da CCR Rodovias, empresa do Grupo CCR, a proposta é que o condutor de veículo, ao perceber uma situação que envolva qualquer tipo de atendimento nas rodovias, principalmente no acostamento, mude de faixa sempre que for possível e seguro. Outra orientação é reduzir a velocidade do veículo em até 40 km/h a menos que o limite regulamentado para a estrada. “Também é muito importante estar sempre alerta para permitir que aqueles que estão afastando-se de uma via em atendimento consigam passar para a próxima faixa”, enfatiza.

O ato de afastar-se dá à polícia, socorristas de emergência e outros veículos de serviço, espaço adequado para a realização do trabalho nas rodovias, reduzindo o perigo dos profissionais que estão atuando em uma ocorrência. No caso de um acidente grave, envolvendo vários veículos e múltiplas vítimas, podem ser acionadas diversas equipes de atendimento da concessionária, incluindo inspeção de tráfego, guincho leve e pesado, ambulâncias das equipes de Atendimento Pré-hospitalar e caminhão de combate a princípio de incêndio.

Além desses recursos, que contam com mais de uma dezena de profissionais, também participam de atendimentos a Polícia Militar Rodoviária, ambulâncias do Samu e Corpo de Bombeiros. “É uma ampla estrutura envolvida nas ocorrências de acidente, sendo necessário garantir que o trabalho dessas equipes seja realizado com segurança”, ressalta Camilotti. “A mesma preocupação e cuidado devemos ter quando observamos um guincho atendendo um veículo em pane mecânica no acostamento ou equipes realizando serviços de manutenção nas rodovias”, acrescenta.

Para alertar os motoristas sobre essa prática de segurança e propor uma mudança no comportamento de quem está no volante, a CCR SPVias vai implantar ao longo das rodovias que administra faixas orientativas com as seguintes mensagens: “Ao observar viatura em atendimento, mude de faixa” e também “Ao observar viatura em atendimento, reduza a velocidade”. Essas mensagens também estarão presentes nos painéis eletrônicos, site da empresa e em banners implantados em todas as bases operacionais da concessionária. O Movimento Afaste-se também estará presente com orientações em material impresso que será distribuído aos motoristas nas praças de pedágio.

“Quando avistamos uma ambulância pelo retrovisor do veículo, nossa atitude imediata é deslocar de faixa para abrir espaço necessário para a passagem do veículo, pois sabemos que é uma situação de emergência. Nosso objetivo é propor ao motorista que esse comportamento também aconteça quando ele observar viaturas em atendimento à frente nas rodovias”, completa o diretor de Operações.

O Movimento Afaste-se foi lançado inicialmente na CCR AutoBAn e agora implantado em todas as concessionárias de rodovias paulistas do Grupo CCR.

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

As eleições de 2022 estão chegando! A menos de 1 mês para o grande exercício da democracia, aproveitamos para explicar como funciona a Urna Eletrônica e porque ela é segura. Confira.

Divulgação / Compara e Poupa

Eleições 2022: quão segura é a urna eletrônica?

Ele finalmente chegou: 2022, o ano das eleições. Das eleições e da Copa do Mundo, claro. E dentre todos os assuntos que rondam esse tema, o que está sempre envolto em polêmica é a famosa urna eletrônica. Afinal, porque a urna eletrônica é tão debatida?

Criada em 1995 e utilizada nas 12 eleições seguintes seguintes, a urna eletrônica se mantém insubstituível. Atualmente cerca de 147 milhões de eleitores utilizam o sistema eletrônico para o exercício da cidadania por meio do voto.

Bom, o fato é que mesmo assim, a urna eletrônica tem seus detratores. Por isso, resolvemos escrever esse artigo para explicar como funciona a urna eletrônica, qual a história da urna nas eleições do Brasil e como será a eleição de 2022. Por fim, você poderá decidir se a polêmica é justa ou não. Boa leitura!
História da urna eletrônica no Brasil

O projeto da urna eletrônica foi desenvolvido pelo TSE e é totalmente nacional, customizado de acordo com as características do eleitor brasileiro, ou seja, intuitivo para facilitar na hora do voto.

Na primeira eleição informatizada, de 1996, mais de 32 milhões de brasileiros votaram em mais de 78 mil urnas eletrônicas. Desde então, a Justiça Eleitoral também adquiriu urnas nos anos de 1998, 2000, 2002, 2004, 2006, 2008, 2009, 2010, 2011, 2013, 2015 e 2020.

Em 2008, a biometria começou a ser adotada em algumas localidades e, até julho de 2020, mais de 119 milhões de eleitores tiveram suas digitais cadastradas.

Portanto, como podemos ver, a urna eletrônica é parte relevante do processo eleitoral brasileiro e da concretização da ordem e da legitimidade na realização das eleições.

Como funciona a urna eletrônica?

Com tantos anos de existência, milhões de votos realizados e sem apresentar nenhuma falha ou fraude que comprometesse os resultados das votações, a urna eletrônica nada mais é que um supercomputador.

Para começar e explicar como a urna eletrônica funciona, pontuamos que a urna não é conectada à internet, nem via Wi-fi nem via fibra óptica, e por isso, durante a votação, não há possibilidade de invasão.

No fim das votações, os votos são embaralhados, criptografados e armazenados em um cartão enviado à junta eleitoral. De lá, os dados são enviados, por uma rede exclusiva, para os TREs, que conferem se eles vieram de uma urna oficial e os repassam ao TSE, que totaliza e divulga os resultados.

São vários mecanismos utilizados para garantir a segurança dos dados, os principais são a criptografia (tecnologia que oculta os dados) e as chaves de segurança secretas (que decifram os dados criptografados). Além de que a urna registra todos os eventos que ocorrem durante a votação (hora em que foi ligada, momento de cada voto, eventual pane, desligamento, retirada dos dados, etc).

Auditoria e Segurança

A urna foi criada não só para agilizar a apuração, mas com o objetivo principal de eliminar fraudes que ocorriam na contagem manual de cédulas de papel. Por isso, é natural supor que a segurança é o fator fundamental para o uso da urna eletrônica. E dentre os vários mecanismos utilizados pelo TSE, um dos principais é o TPS.

O Teste Público de Segurança (TPS) é um evento da Justiça Eleitoral e foi criado justamente para monitorar o processo eletrônico de votação. Realizado, preferencialmente, no ano anterior às eleições, conta com a participação e colaboração de especialistas na busca por problemas ou fragilidades que, uma vez identificadas, serão resolvidas – e testadas – antes da realização das eleições.

O último TPS foi realizado em novembro de 2021. E o acesso é livre para diversas instituições e qualquer cidadão brasileiro.
Principais características das urnas eletrônicas

Importante relembrar algumas características das Urnas Eletrônicas, para combater as fake news:

As urnas eletrônicas não se conectam a nenhum tipo de rede, internet ou bluetooth;

Utilizam criptografia, assinatura e resumo digitais, garantindo que somente o sistema e programas desenvolvidos pelo TSE e certificados pela Justiça Eleitoral (JE) sejam executados nos equipamentos;

Possibilidade de auditoria das urnas, antes, durante e após a votação, pelos partidos e instituições fiscalizadoras e pela sociedade em geral;

Impressão da zerésima (comprovante que mostra que, no início da votação, não há voto registrado na urna para nenhuma candidatura);

As urnas ainda contam com o Registro Digital do Voto (RDV). Nele, as informações sobre os votos são embaralhadas em uma tabela que assegura o sigilo da votação;

Segundo informações do TSE em 2021, o Brasil tem um parque eletrônico de 577.125 equipamentos.
Como vão ser as eleições de 2022?

Você já deve estar bem informado sobre as eleições de 2022, mas não custa nada relembrar.

O 1º turno das eleições será em 2/10/2022, domingo. E, se houver 2º turno, este será realizado em 30/10/2022, também domingo. Lembrando que o dia da eleição é feriado.

Nas eleições de 2022, os brasileiros irão votar para os cargos de presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador de estado e do Distrito Federal, senador (uma vaga), deputado federal, estadual e distrital.

Importante ressaltar que nas eleições de 2022 é proibido o uso de aparelhos de celular na cabine de votação, desligados ou não. Fique atento!

Novidades para 2022

As urnas eletrônicas que serão usadas nas eleições de 2022 foram produzidas em Manaus (AM) pela Positivo Tecnologia, vencedora da licitação que fabricou 225 mil novas urnas, de um total de 577 mil que serão usadas nas Eleições de 2022.

Mais modernas, as urnas Modelo UE2020 trazem novos recursos de acessibilidade e novidades em termos de segurança, transparência e agilidade. A produção era focada nas placas-mãe da urna. Lembrando que cada fase da produção dos equipamentos foi acompanhada pela equipe da Coordenadoria de Tecnologia Eleitoral (Cotel) da Secretaria de Tecnologia da Informação do TSE.

Outra novidade é que o TSE lançou o simulador de votação na urna eletrônica! Por meio do site do órgão, o eleitor pode treinar a sequência de votação que será adotada nas eleições de outubro. E você, leitor, está se preparando para exercer seu direito nas eleições de 2022? Ainda dá tempo de estudar os candidatos e fazer valer seu voto.

Fonte: https://comparaepoupa.com.br/blog/como-funciona-urna-eletronica/